terça-feira, 7 de agosto de 2012

Teoria da aprendizagem: Construtivismo

Construtivismo, a tentativa de caminho do meio
Precursor: Jean Piaget (1896-1980)


Com inatismo e empirismo apontando para lados opostos ("O saber está no indivíduo" versus "O saber está na realidade exterior"), o século 20 nasceu com uma tentativa de caminho do meio para explicar o aprendizado: a perspectiva construtivista. De acordo com essa linha, o sujeito tem potencialidades e características próprias, mas, se o meio não favorece esse desenvolvimento (fornecendo objetos, abrindo espaços e organizando ações), elas não se concretizam.

A presença ativa do sujeito diante do conteúdo é essencial - portanto, não basta somente ter contato com o conhecimento para adquiri-lo. É preciso "agir sobre o objeto e transformá-lo", como diz Jean Piaget (1896-1980). Foi o cientista suíço quem cunhou o termo construtivismo, comparando a construção de conhecimento à de uma casa, que deve ter materiais próprios e a ação de pessoas para que seja erguida.

Embora seus estudos não tenham sido feitos para aplicação em sala de aula - por isso, é um equívoco falar em "método construtivista de ensino" -, suas teorias inspiraram as obras sobre Educação popular de Paulo Freire (1921-1997), sobre Matemática de Constance Kamii, sobre ética de Yves de la Taille e sobre a psicogênese da língua escrita de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. Nas últimas três décadas, elas também têm influenciado investigações nas chamadas didáticas específicas de cada disciplina.

Pela concepção construtivista, o professor deve criar contextos, conceber ações e desafiar os alunos para que a aprendizagem ocorra. "O conhecimento não é incorporado diretamente pelo sujeito: pressupõe uma atividade, por parte de quem aprende, que organize e integre os novos conhecimentos aos já existentes".

É claro que nem tudo cabe debaixo do chapéu do construtivismo. Entre os mal-entendidos, um dos mais comuns é considerar que o professor construtivista não apresenta conteúdos nem orienta seus alunos. "Professor que não ensina não é construtivista". Para que haja o avanço dos alunos, o docente precisa tomar muitas decisões: considerar as demandas da turma, propor questões e desafios e pensar formas de promover ações que gerem aprendizado. "O educador deve dominar sua área e conhecer os processos pelos quais o aluno aprende os mais diferentes conteúdos".

Ao pesquisar a maneira como a criança pensa, Piaget chamou a atenção para o papel da interação para explicar como o conhecimento se origina e se desenvolve. Por essa via, aproximou-se de pesquisadores como Lev Vygotsky (1896-1934) e Henri Wallon (1879-1962). Embora os registros históricos indiquem que Wallon e Vygostky não conviveram diretamente com Piaget, são muitos os pontos de contato entre o construtivismo piagetiano e a perspectiva defendida pela dupla, o sociointeracionismo. Segundo ela, o processo de aprendizagem se dá pela relação do aprendiz com o meio (ambiente familiar e social, professores, colegas e o próprio conteúdo).




O construtivismo estabelece que a capacidade de aprender é desenvolvida e construída nas ações do sujeito por meio do contato ativo com o conhecimento, que é facilitado pelo professor.

"Pensar não se reduz, acreditamos, em falar, classificar em categorias, nem mesmo abstrair. Pensar é agir sobre o objeto e transformá-lo."
Jean Piaget, no livro Problemas de Psicologia Genética

Citando características do pensamento científico clássico (enunciação, classificação e abstração), Piaget afirma que o aprendizado necessita também da ação de quem aprende (formulando hipóteses para entender o objeto de conhecimento, por exemplo).

Questão de concurso

Processo Seletivo Simplificado 2009 - Governo do Estado de São Paulo

Numa reunião, alguns professores fizeram comentários sobre o ensino de Matemática:

I) A professora Marisa comentou que, para garantir que seus alunos tenham um papel ativo na construção de seu conhecimento, não sistematiza conceitos e procedimentos nem corrige erros.
II) A professora Sílvia comentou que oferece oportunidades para seus alunos colocarem em jogo as próprias hipóteses e compará-las com as de outras crianças para que possam elaborar soluções e perceber contradições, identificando os próprios erros.
III) A professora Paula comentou que parte de situações desafiadoras, como jogos e resolução de problemas do cotidiano das crianças, para que elas possam participar
ativamente das aulas de Matemática, mas isso não significa que não sistematize conceitos nem corrija erros.

De acordo com a concepção que fundamenta os documentos oficiais da SEE, é (são) correto(s) o(s) comentário(s):
a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

Comentário
A alternativa correta é a D. O comentário I não é adequado. Diferentemente do que muitos pensam, não sistematizar conceitos nem corrigir erros não indica uma postura construtivista - é sinal de omissão docente. O professor que se inspira no construtivismo acolhe as hipóteses dos alunos, favorece a percepção dos equívocos (pela comparação das soluções propostas, por exemplo) e sistematiza o conhecimento, mostrando como o caminho que resolveu determinado problema pode servir para outras questões.


Fonte: Revista Nova Escola


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